Bocage

Há 250 anos, precisamente a 15 de setembro de 1765, nascia em Setúbal, o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou simplesmente “Bocage”.
É considerado como um dos nossos melhores poetas, e depois de Camões o mais popular e celebrado de todos.
A poesia de Bocage, é uma poesia satírica, irreverente e classicista.
A sua poesia teve forte presença na literatura portuguesa do século XIX.
Bocage, tinha um espírito livre, rebelde e contestatário. Gostava de tudo o que era grande e belo. Passando pelo erotismo e pelo brejeiro, pela crítica construtiva ao escárnio, Bocage escreveu até à morte. Escreveu um pouco de tudo, tendo sido durante a sua vida censurado e por isso viu muitos dos seus versos cortados, alterados ou simplesmente omitidos.

Para celebrar os 250 anos da data do seu nascimento, nada melhor do que lembrar Bocage, com o seu autorretrato.

(AUTORRETRATO)
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage

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