Mário de Sá Carneiro

Ao comemorar-se o centenário da morte de Mário de Sá Carneiro (Maio de 1890 / Abril de 1916), não podemos deixar de lembrar a sua vida e obra, destacando-o como Poeta do Mês.
Poeta, contista e ficcionista português, foi um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu – juntamente com Fernando Pessoa e Almada Negreiros – escandalizando a sociedade burguesa e urbana da época.
De natureza instável, onde predomina um sentimento de solidão, de abandono e de frustração, nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se ao mundo e à vida prática.
Verdadeiro insatisfeito e inconformista, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hotel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris.
Numa «carta de despedida» para Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro revela as suas razões para se suicidar:

Paris – 31 Março 1916

“Meu Querido Amigo.
A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3 (ou mesmo na véspera), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estricnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tanto a escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas “cartas de despedida”… Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando: afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por aqui… Já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma: eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa áurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei: tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o histerismo do seu ópio, as luas zebradas, os mosqueiros roxos da sua Ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre, psicologicamente, às mil maravilhas: mas não tenho dinheiro. [...]
Mário de Sá-Carneiro”

Como viria, mais tarde, a escrever Fernando Pessoa, seu grande amigo e confidente, “Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida”.

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