Manuel Maria Barbosa du Bocage

Barbosa du BocageVida e Obra

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765/1805). Publica o primeiro volume das Rimas em 1791 (o segundo sairá em 1799) e é convidado a fazer parte da Academia das Belas Artes ou Nova Arcádia que reunia no Palácio do Conde Pombeiro, presidindo Domingos Caldas Barbosa – Lereno – às quartas-feiras. É aí que toma o nome arcádio de Elmano Sadino. Traduz Tasso (Jerusalém Libertada), Voltaire, Lucano, Ovídio. Uma certa aura de génio e infortúnio mitificou o poeta; gravuras e poemas ajudaram a fixar a sua imagem: rosto moreno, cabelo em farripas, olhos azuis. O que se diz eles revelarem – “pureza, grande amargura na boca” – evidencia a pujança autobiográfica que ressuma da sua poesia. Exaltado, impaciente, volúvel, inadaptável, são características que se lhe apontam. Tudo acrescentado a uma sensibilidade irritável. A poesia de Bocage é uma poesia claramente classicista. Apesar de tudo, é da sua irreverência e consciência libertária de uma individualidade violentamente original que brotará a semente que permitirá aos românticos encontrar outros modos de exprimir a interioridade. O conceito de poeta que Bocage representa é pois o do manuseador da linguagem como instrumento de um poetar capaz de dizer – copiando – a verdade natural e não a do poeta como agente de uma imaginação desregradamente inovadora.

Escultor
João Antero

Pétala 19

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