A ideia

SONHO.

A palavra e o conceito estiveram associados ao Parque dos Poetas desde o primeiro momento. Porque ele é, na essência, o resultado de um sonho.

Desde logo, o sonho de ver nascer, em Oeiras, um grande parque urbano vocacionado para o lazer, o desporto e a cultura.
Sonho que começou a tomar forma no primeiro mandato de Isaltino Morais como presidente da Câmara Municipal de Oeiras (1985-1989), enquanto decorriam os trabalhos de preparação do primeiro Plano Diretor Municipal.
As justificadas e prementes pretensões urbanísticas que se faziam sentir sobre a extensa faixa de 22,5 hectares que se estendia desde a atual rotunda da Fonte Luminosa até ao Viaduto do Espargal pareciam constituir, então, o principal obstáculo à concretização do sonho.
Era compreensível que uma tão extensa faixa, com uma localização privilegiada, pudesse constituir um fator de atração dos promotores e uma pressão para que os preços dos terrenos atingissem níveis relativamente elevados.

Mas um sonho… um sonho é um sonho. E no início da década de 90 a opção era feita: o Parque Urbano de Oeiras Norte – inicialmente designado por ‘Puxa Feixe’ – seria uma realidade consagrada pelo primeiro Plano Diretor Municipal e, mais tarde, pelo Plano de Urbanização com o mesmo nome.
Inicia-se, então, um aturado trabalho de negociação com os diferentes promotores e proprietários. Também eles contribuíram para que o sonho pudesse começar a concretizar-se.

Em 1995 novos sonhadores passam a fazer parte desta história: o poeta e escritor David Mourão-Ferreira e o escultor Francisco Simões.
Depois de uma exposição conjunta da obra destes dois mestres da cultura portuguesa realizada na Galeria Verney, o sonho agiganta-se. E toma forma na ideia de associar a poesia e a escultura num tributo à cultura portuguesa do século XX. Algo que constituísse uma marca distintiva do concelho de Oeiras e que representasse uma homenagem ao legado que poetas e artistas plásticos transmitiam às novas gerações de portugueses.

Assim surgiu a ideia de uma Alameda dos Poetas: 20 representações escultóricas dos 20 poetas portugueses mais relevantes, a serem executadas pelo escultor Francisco Simões. O sonho começava a ganhar forma e desde logo foi decidido convidar o paisagista Francisco Caldeira Cabral para ser o responsável pela conceção do projeto. Com ele veio a arquiteta Elsa Severino e a sua equipa que em pouco tempo elaboraram os primeiros esboços da ainda Alameda dos Poetas.

E porque aos sonhos não se impõe grilhetas, da ideia de uma alameda evoluiu-se para o parque, dos poetas do século XX para a poesia e a língua portuguesa, em Portugal e no Mundo, dos escultores para as artes plásticas, para a expressão paisagística e para as formas mais inovadoras de conceber um parque urbano.
Surgiu assim a primeira formulação da ideia do Parque dos Poetas e ganhava sentido o que a expressão inicial havia esboçado: uma área estruturante integrada numa nova centralidade urbana capaz de se tornar uma das zonas mais nobres do concelho.

Em 7 de Junho de 2003, foram inaugurados os primeiros dez hectares onde estão representados, em esculturas da autoria de Francisco Simões, 20 poetas do século XX. O sonho continua a concretizar-se, em 2013, com a consagração de outros 13 vultos literários, desde os Trovadores à Renascença, numa área de sete hectares, mantendo-se o princípio da Alameda dos Poetas como eixo estrutural do Parque, garantindo a ligação e a continuidade da primeira para a segunda fase. Em Julho de 2015, dá-se por concluída a totalidade deste projeto, com a representação de 17 poetas da época do Barroco (Séc. XVIII) aos poetas do Romântico (Séc. XIX) e 10 poetas representativos dos Países ou Território de Expressão ou Cultura Portuguesa.

A configuração do Parque dos Poetas, alongando-se desde o nível de planalto – antigos campos de trigo e pastagem – e descendo em direção à zona ribeirinha, permite desfrutar uma das imagens mais encantadoras sobre a foz do Tejo e o Atlântico. Especialmente o Alto do Puxa Feixe proporciona esse prazer único, um deleite que convida à reflexão, à busca interior, à expressão mais profunda dos sentimentos, à evocação de sonhos inscritos no limite do horizonte.

O Parque dos Poetas, no seu conjunto e inserção, assume-se como uma marca representativa da diversidade das correntes estéticas, produto da cultura de uma época, síntese harmoniosa da tradição e da inovação na literatura e nas artes plásticas nacionais. Mas é também um exemplo pioneiro de como potenciar a excelência arquitetónica, de como tirar partido do caráter acidentado e desnivelado do terreno, de como integrar na malha urbana existente uma obra de arte paisagística sem igual.

Imperativo nesta obra é reconhecer o envolvimento do tecido empresarial do concelho na sua concretização. Muitas empresas sedeadas em Oeiras prontamente aderiram ao apelo lançado pela Câmara Municipal, doando algumas das esculturas, investindo somas consideráveis em peças de arte para usufruo dos cidadãos. Esta comunhão entre as empresas e o Município, colaborando com o desenvolvimento do concelho onde se inserem, merece forte aplauso e público reconhecimento.
Semelhante reconhecimento é devido às empresas envolvidas na construção propriamente dita de todo o Parque. A excelência do trabalho que está à disposição de todos fala pela qualidade seguida na execução do projeto.

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